Custos da Construção Civil Sem surpresas para 2012

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Com demanda controlada e capacidade produtiva adequada, aposta do setor é que preços dos materiais se mantenham estáveis no próximo ano. Confira os fatores econômicos que influenciam a composição dos preços


Por Romário Ferreira



MARCELO SCANDAROLI

Diferente dos demais custos da construção civil, como a mão de obra que está cada vez mais cara, os preços dos insumos se mantêm num patamar inferior e não têm preocupado os construtores. Prova disso é a variação do item materiais e equipamentos do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que registrou, de janeiro a outubro, alta de 4,94%, resultado abaixo do próprio INCC geral (6,56%) e da mão de obra (8,10%).

Para o consultor do setor da construção, Melvyn Fox, este panorama deve se manter nos próximos seis ou 12 meses em razão, principalmente, da capacidade produtiva, que tem sido satisfatória. "Os custos dos produtos têm ficado abaixo da inflação. Isso ocorre porque a demanda vem sendo atendida pela produção, que ganhou aportes nos últimos meses. Não há inflação de demanda", explica. Esse também é o discurso do presidente da Coopercon-CE (Cooperativa da Construção Civil do Ceará), Marcos de Vasconcelos Novaes. "O fornecimento das empresas está estabilizado. Estamos bem supridos, tanto em relação a preço quanto a prazo", assegura.

Os custos dos materiais de construção são formados, basicamente, pelo preço de suas matérias-primas, pelos fatores econômicos como demanda e mercado externo, e pela capacidade de produção da indústria. O gerente de orçamentos da construtora Sinco, Luiz Fernando Castilho, lembra que a recorrente falta de mão de obra capacitada também atinge as indústrias e o produtor se vê obrigado a repassar esse custo aos compradores. Boa notícia, no entanto, é o fato de a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para materiais de construção ter sido prorrogada até dezembro de 2012, o que garante que os preços dos insumos não serão impactados para cima em decorrência da volta desse tributo.

Além desses aspectos, com a recente valorização do dólar, várias indústrias de insumos se direcionaram novamente para o mercado externo, segundo Robson Colamaria, diretor-executivo da CompraCon (Associação de Compras da Construção Civil no Estado de São Paulo). Sobre as tendências de comportamento dos preços, o diretor afirma que "o setor espera um aumento em ritmo menos acelerado, pois o mercado parece ter chegado a um patamar de custo de metro quadrado construído incompatível com o que o consumidor ou investidor estaria em condições de pagar".

Para o diretor-executivo do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro), Antonio Carlos Mendes Gomes, materiais como chapa de compensado, aço CA-50, concreto fck 25 MPa e vidro liso transparente encontram-se sem alterações significativas. "Encontram-se perfeitamente dentro das estimativas inflacionárias atuais e, portanto, não são agentes de maior impacto para a elevação de custos", diz. Segundo preços pesquisados pela entidade naquele Estado, a variação percentual do aço nos últimos 12 meses é, inclusive, negativa, com queda de 1,92%. O vidro liso transparente, por sua vez, teve os preços elevados em 4,17%, sendo que de setembro a outubro não apresentou variação nos preços.

Importação

Outro fator que tem chamado a atenção do setor é a crescente importação de materiais. De 2006 a 2010, o saldo comercial entre exportações e importações de insumos passou de superávit de US$ 2,5 bilhões - resultado registrado em 2006 - para déficit de US$ 1,6 bilhão, no ano passado. E segundo projeção da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), a balança comercial fechará o ano de 2011 com déficit de aproximadamente R$ 2 bilhões.

"Isso é fato: a importação continuará subindo e será importante para regular nossos preços e aumentar a competitividade. No entanto, ela não é o principal fator para manter os preços baixos", explica Fox. "Ter custos baratos depende essencialmente da manutenção da produção em alta e do atendimento, na totalidade, à demanda", completa.

 

Peso dos materiais nos custos da construção

Composto pela variação dos preços de materiais, serviços e mão de obra, o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção do Mercado) tem mostrado que sua principal causa de elevação não é o custo dos insumos, mas sim o peso dos serviços e, principalmente, da mão de obra.

Fonte: FGV.

 

 

 

MARCELO SCANDAROLI

Aço para armadura

De maneira geral, a formação de preço do aço depende da matéria-prima, da logística e de fatores intrínsecos à produção, além da conjuntura externa. Se a cotação do dólar cair, por exemplo, a tendência é que fique mais vantajoso importar em alguns casos. Mas a expectativa das empresas é que o dólar volte a subir e isso leve a reajuste no custo do aço brasileiro.

Segundo relatório do banco Credit Suisse, "com a queda dos estoques e um desconto em relação ao aço importado, deveremos ver um pequeno ajuste de preços no começo de 2012". Além disso, o banco acredita que a entrada deste insumo importado será diminuída no próximo ano.

A economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ana Maria Castelo, ressalta que a valorização do câmbio influi nos produtos que têm insumos comercializados internacionalmente, como o aço. "As commodities tiveram elevação no primeiro semestre, porém, depois recuaram em função do desaquecimento do cenário externo. Isso, sem dúvida, cria ambiente favorável à desaceleração dos preços. Não é queda, apenas estão subindo menos", explica.

Segundo o IABr (Instituto Aço Brasil), a crise econômica internacional evidenciou os problemas da competitividade brasileira para a indústria no geral. "A mudança de precificação do minério de ferro de anual para trimestral mexeu com o mercado. Os distribuidores importaram, achando que o aço aumentaria. No ano passado, a penetração das importações de aço foi de 20,6%, quando a média histórica sempre variou entre 4% e 6%."

Em setembro, a produção brasileira de aço bruto cresceu 3,6% sobre igual mês de 2010, para 2,8 milhões de t, segundo dados do IABr. Já as vendas no mercado interno avançaram 4,1% na mesma base de comparação, para 1,8 milhão de t. No acumulado do ano até setembro, o Brasil produziu 26,7 milhões de t de aço bruto, 7,3% a mais do que no ano anterior. Atualmente, a capacidade instalada do setor é de 47,9 milhões de t e o mercado é concentrado em poucas empresas.

 

 

 

 

fotos: MARCELO SCANDAROLI

Concreto usinado

O concreto é formado, basicamente, por cimento, agregados graúdos e miúdos - areia e pedra - e água. Consequentemente, o custo do concreto depende do preço de seus componentes. Neste caso, cimento e frete são fatores preponderantes. Mas, assim como a maioria dos insumos, "o cimento não tem apresentado muita elevação no acumulado do ano", afirma Ana Maria Castelo, da FGV.

O alto custo da energia elétrica também afeta a produção desse produto. Dados de 2008 da Pesquisa Industrial Anual realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam que, na indústria do cimento, as despesas com energia podem superar 30% dos custos das operações industriais, enquanto nas outras esse índice gira em torno de 12%.

No entanto, as vendas têm apresentado elevação. Segundo o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), dados preliminares da indústria e estimativas de mercado indicam que as vendas de cimento para o mercado interno brasileiro, de janeiro a outubro de 2011, alcançaram 52,9 milhões de t. Isso significa aumento de 7,7% sobre o mesmo período de 2010.

O SNIC avalia que consumo continua crescendo por conta dos fatores já conhecidos, como os programas de moradia para média e baixa renda e as obras de infraestrutura, além da melhoria da renda de todos os brasileiros. Entretanto, "é possível notar desaceleração, indicando taxas mais baixas, compatíveis com a realidade do País e com seus persistentes entraves ao desenvolvimento econômico. É importante ressaltar ainda que a variação não é uniforme: a demanda tem crescido mais nas regiões de menor consumo per capita, como Norte e Nordeste", explica José Otavio Carneiro de Carvalho, presidente do SNIC.

Fonte: FGV.
 

 

 

 

fotos: MARCELO SCANDAROLI

Madeira

Segundo o superintendente-executivo da AbimcI (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), Jesiel Adam de Oliveira, dentro da construção civil a madeira compensada, destinada às fôrmas de concreto, é a mais importante para o setor madeireiro. "Estamos com a expectativa de que a demanda, no mercado interno, sofra queda, mas não tão acentuada", diz.

Segundo ele, o setor era, caracteristicamente, exportador. Com a crise internacional e o mercado interno ativo, a maioria dos fabricantes se voltou para o mercado nacional. Quanto às matérias-primas, ele aponta encarecimento. "Notamos que o insumo principal, a madeira, está subindo de preço, assim como a resina. E isso tem influenciado no preço final."

Ana Maria Castelo, da FGV, considera a madeira um dos itens mais complicados da cadeia, por originar vários produtos, como portas, pisos, janelas, fôrmas para construção, entre outros, que exigem a legalidade ambiental. "Isso é fundamental para a adequação dos preços", salienta.

No País, a madeira de pinho de reflorestamento está concentrada no Paraná e em Santa Catarina. No Pará, há reflorestamento de paricá. "Por uma série de razões e restrições, a madeira nativa vem diminuindo a participação no mercado", diz Oliveira. A madeira, não necessariamente, é processada perto das áreas de plantio, mas, na região Sul do País, boa parte das empresas se utiliza de florestas próprias.

No setor de acabamento, os pisos de madeira - divididos basicamente em maciços e engenheirados - são feitos em fábricas concentradas no Pará e no Mato Grosso. De acordo com o gerente-executivo da ANPM (Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira), Ariel de Andrade, a capacidade produtiva brasileira do setor é de cerca de 20 milhões de metros quadrados por ano e o setor é bastante voltado àexportação. "A tendência de demanda, principalmente no mercado interno, é de aumentar - devido ao bom momento da construção civil no Brasil. Para as exportações, a tendência é estagnação ou queda", prevê Andrade.

 

 

 

 

MARCELO SCANDAROLI

Vidro

A formulação do preço do vidro é influenciada, em especial, por um fator com custo em ascensão no País: energia elétrica. Segundo estudo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), o preço desse item pago pela indústria brasileira elevou-se de US$ 47,66/MWh em 2000, para US$ 165,19 em 2010, indicando crescimento de quase 250% em dez anos.

Em 2011, o valor do metro quadrado do vidro cristal comum liso, segundo dados da Editora PINI, oscilou entre R$ 37,50 e R$ 40,10, fechando outubro cotado a R$ 38,88. Já o vidro temperado iniciou o ano custando R$ 150,50/m² e já alcançou, em outubro, a casa dos R$ 166,91.

A produção nacional de vidro atende aos mercados internos e externos e está instalada no Estado de São Paulo. Atualmente, quatro indústrias, representadas no Brasil pela Abividro (Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro), abastecem o mercado de vidros planos no Brasil: Cebrace, Guardian, Saint-Gobain Glass e UBV (União Brasileira de Vidros).

As matérias-primas do vidro são sílica (areia), potássio, alumina, sódio (barrilha), magnésio e cálcio, e esses elementos são misturados e 
fundidos no forno.

 

Fonte: FGV

 







Palavra Chave:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

:::: NOSSOS PARCEIROS ::::